segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Perdoei! E agora?








Nós cristãos, somos sempre motivados a amar e a perdoar o nosso irmão e irmos mais longe: também os inimigos!



Quando nos sentimos ofendidos nem sempre o outro sabe que nos ofendeu. E agora? Devo perdoar, mas quais as consequências? O que vai mudar na minha vida e na vida do outro?



Perdoar é sempre uma opção, porém não é o fim da nossa ação. Na realidade, penso que perdoar é um processo que se inicia com a decisão... Parece-me verdadeiro que perdoar seja questão de bom senso. Se não perdôo, nada muda na vida do outro. Se eu perdôo eu mudo!



Se você já se sentiu magoado, ferido, traído ou algo parecido, penso também que já pensou em perdoar e que esta decisão não foi fácil. Perdoar não significa simplesmente tocar a vida pra frente, relembrar oportunamente e jogar na cara do perdoado que fomos virtuosos em aceitar aquela pessoa de volta em nossas vidas.



Pensemos em Jesus, que já na cruz diz para que Pai perdoasse, pois eles não sabiam o que faziam... Aquela decisão de ir à cruz significou que Jesus até hoje está pronto para nos perdoar a qualquer momento: e nos deu o Sacramento da confissão!






Perdoar de verdade significa ser como Jesus Cristo e esquecer o mal sofrido. É a decisão diária de reescrever a história sem ressentimentos, sem o desejo de revidar ou ainda querer demonstrar-se melhor que o outro. Perdoar é uma grande virtude. E perdoar de verdade é uma virtude para poucos.



Quem perdoa cresce, ajuda o outro a crescer e ainda faz a feliz opção pela felicidade sem olhar para o passado para construir o futuro.

Lucas Cavalcante
04/11/2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Você é um cristão mimado?







Antes de continuar escrevendo desejo explicar uma coisa: todos os textos postados aqui partem de uma reflexão, e antes de tudo, de uma auto-reflexão. Minhas experiências de vida são as minhas mais valiosas motivações para escrever e buscar partilhar.



Você pode estar pensando: “como seria um cristão mimado?”. Geralmente, entendemos o adjetivo mimado como algo ruim. É uma criança que chora ao não ver seus caprichos atendidos, um adolescente que está sempre “na barra da saia dos pais” ou um adulto que quer ver sempre as suas vontades realizadas. Não gostamos de pessoas mimadas.



Pessoas mimadas agem como se fossem o centro de tudo. Suas vontades e planos, não sabem ouvir “não” e são intolerantes aos seus fracassos. Não sabe lidar nem dividir espaço com o outro.



E de quem é a culpa? Muitas vezes os pais, no desejo de cercar de seguranças a sua cria não enxergam que seus filhos são criados para viverem sozinhos. Portanto, experiências desagradáveis acontecerão (e são necessárias) para o crescimento e o polimento de uma personalidade, jeito de ser, subjetividade, caráter. É um marido que, com medo de perder, não consegue se impor ao ver toda a sua singularidade invadida. Enfim, a toda hora criamos pequenos monstrinhos sob a desculpa do cuidado.



Falemos agora dessas pessoas dentro na religião: quando a perspectiva cristã nos revela e motiva a viver para o outro, ser mimado pode ser um problema. Como a minha visão para a necessidade do meu próximo, do pobre, do necessitado será uma visão sem interesses? Como serei capaz de servir sendo que só aprendi que devo fazer a coisas esperando algo em troca? Difícil conciliar os mimos com a prática cristã: amarei ao próximo como a mim mesmo? O Amor encontrará espaço no meu coração egoísta?



Não raro encontrarmos à nossa volta pessoas mimadas (eu pessoalmente já passei por isso, e nem sempre eu era a vítima) que condicionam a sua vida na Igreja baseados em seus interesses pessoais e terceirizados: “só vou rezar depois dos estudos”, “preciso de Deus, mas também preciso de um bom emprego”, “Hoje eu tenho prova, não poderei ir...”, “Hoje não deu, tive uma festa e não consegui acordar” ou os que só participam daquilo ao entender que irá se beneficiar ou ser o centro das atenções como se a Igreja ou as pastorais fossem ambientes de autopromoção. É um cristão que olha para a cruz, mas já não vê que ali não houve “porém” ou “talvez”. Que não foi morno mas sim capaz de se entregar totalmente sem olhar para trás ou para um futuro de consequências e prejuízos: Jesus ainda é ignorado.





Que bom que sempre é tempo de voltar! A dinâmica cristã é cheia de possibilidades e torna possível a volta e o recomeço assim como o filho pródigo: “vi que era ruim e estou voltando...”. Tentemos ser católicos, cristãos e voltados para o outro, sem egoísmos. É necessário, para nós e para os outros, que tenhamos consciência do nosso verdadeiro papel neste mundo mesmo que seja necessário que voltemos ao amor primeiro e católico para “se converter novamente”. 

Vale a pena e eu quero...

Lucas Cavalcante
24/10/2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Temos o poder!



Vivemos em um tempo em que as coisas mudam com tanta rapidez que nem sempre conseguimos acompanhar: Seja a tecnologia ou os meios de nos relacionarmos, tudo é muito volátil.

Talvez aí se encontre um certo perigo: eu utilizo as “coisas” ou são elas que me utilizam? Sou dono do meu celular ou ele é que me comanda? Me relaciono apenas para obter o que preciso ou realmente me preocupo com as pessoas?



Ora, muita coisa muda porém entendemos que Deus não muda! Ele é o princípio e o fim, Aquele que É, Jesus Cristo não se prende ao tempo nem é capaz de mudar como nós para se adequar às necessidades.

Mas onde entra as relações de poder? É naturalmente aceitável que eu seja o dono do meu aparelho eletrônico, das minhas contas, dos meus afazeres e obrigações. Mas não é comum que as minhas relações me faça dono das pessoas e que elas estejam somente para me satisfazer: isso não é ser cristão!

Quando eu, que participo ativamente das atividades de minha Comunidade Paroquial (no canto, na catequese, servindo ao Altar ou aos pobres etc) e ainda recebo de Deus a missão de conduzir um grupo de pessoas, devo ser totalmente responsável por aquele ou aqueles a quem Deus me confiou. É aí que vejo o perigo: poder! Poder de que? Poder sobre o que ou quem? Não é Deus quem faz tudo? Não é Ele o todo-poderoso a quem eu devo levar os meus? Penso que às vezes não é bem assim...
 
Jesus Cristo nunca abusou do seu poder em detrimento do bem-estar de outros. Pelo contrário! O que vemos nos Evangelhos é o poder do serviço, da capacidade de ouvir, da opção pelos mais fracos e pelos injustiçados. Ser um líder na Igreja nos impele a buscar ser como Jesus é: mais um com os seus irmãos-amigos e não servos. Já passou da hora de me gabar de ser o “chefe” (?) deles ou de ter a última palavra para tudo: estamos indo para o mesmo lugar e nos encontraremos Lá!




Peçamos a Deus o poder de enxergar o desejo de Deus para os nossos e a partir disso ser capaz de renunciar a qualquer tipo de vaidade ou desunião.

Fiquem com Deus!

Lucas Cavalcante
22/10/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre a morte...






Há algum tempo venho pensando sobre a morte. Na verdade sobre os que os outros pensam sobre a morte.

Não é raro encontrar à minha volta aqueles que acreditam, ao menos dizem quando algum criminoso morre teve o merecido e acabou pagando pelos seus crimes e/ou pecados. Você já disse ou pensou assim? Isso é curioso! Curioso porque se pensamos na morte como algo inevitável (e ela é!) precisamos admitir que não temos controle algum sobre o fato de morrermos e de que a qualquer momento poderemos ser “levados” por ela.

Mas então porque a morte é o pagamento de nossos crimes se ela virá para todos? Se seguirmos nesse raciocínio, teremos que assumir que todos nós somos criminosos e culpados de um crime que cometemos ou cometeremos, pois a sentença com certeza virá sobre nós. Por acaso alguém tem culpa por estar vivo? E insisto na pergunta, agora reformulada: A morte é o pagamento de nossos crimes em vida? Definitivamente não!

Penso que a morte faz parte da vida e não deve ser temida nem esperada. Deve sim, fazer com que sejamos possuidores de nossas vidas, trazer ardor no nosso desejo de viver e se por algum motivo cometermos “crimes”, que ela mesma (a vida) seja a chance de repararmos no outro o mal que fizemos. Isso sim é pagar o nosso mal!

Que não tenhamos medo de morrer, que temamos matar os outros em vida e não ter a oportunidade de revivê-los!

Pensado em algum lugar em 2010...
Lucas Cavalcante

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

"E no relacionamento... como vai?"



Observo muito como as pessoas se relacionam: amigos, casais, parentes... e gostaria de tecer algumas palavras.



Penso que o relacionamento amoroso envolve obviamente duas pessoas e que ambas devem estar conscientes de seus papeis na relação. Tudo (ou quase tudo) pode ser feito como um casal: cinema, diversão, aquele filme romântico, a ida à Igreja... tudo óbvio e subentendido na relação, não é? Muitas vezes não.

O que vejo são relacionamentos solitários, "de uma pessoa só", pessoas namorando sozinhas (ou com seu próprio ego) e a cada dia possuidores de uma falsa felicidade... Podemos conceber uma relação onde sou incapaz de pedir perdão? Ou ainda que só se tome atitude depois de "perceber que vale a pena" e o outro deu o braço a torcer primeiro. Será que vale mesmo a pena juntar a vida com o outro mas não deixar que ela se misture? Frases como "eu não me arrependo de nada", "perdoo, mas não esqueço" ou "não vou mudar por sua causa" passam a ser comuns e só deterioram mais ainda a relação.

Sempre cabe o diálogo, a mudança (desde que lúcida), a sinceridade, aceitação dos defeitos (principalmente os de si mesmo), o perdão sincero que busca reestruturar e crescer com os erros passados me parecem pequenas dicas para que o crescimento mútuo possa ser alcançado. Afinal, é muito possível ser feliz à dois!

Que tenhamos ótimos relacionamentos em 2013!

Lucas Cavalcante - 04/01/2013